Banho, a higiene do corpo que remonta a séculos

Nem nos dias de hoje nem nas culturas mais antigas, tomar banho nunca se resumiu apenas à limpeza. 

Por muitos séculos, culturas de todo o mundo consideraram o banho um ritual, ou seja, um processo transformador que purifica não só o corpo, mas também a mente e a alma. 

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Podemos dizer que, historicamente, muitas antigas civilizações tinham o banho em alta consideração. 

Os romanos, por exemplo, fizeram dos banhos públicos o centro da vida social e cultural. 

Da mesma forma, os antigos egípcios valorizavam a limpeza e usavam regularmente óleos e perfumes ricos em suas práticas de banho. 

Para essas culturas, os banhos não eram meras rotinas, mas atos profundos de autocuidado e fortalecimento dos laços comunitários.

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No nosso post vamos tratar sobre um pouco dessa história. Como o hábito de banhar-se surgiu, porque as pessoas e culturas sempre adotaram tão fortemente o hábito de se banhar e mais: vamos mergulhar nessa história fascinante e descobrir como chegamos ao ponto em que estamos hoje.

Se voltarmos nossos olhos às civilizações antigas, perceberemos que já nesta época era muito comum as pessoas buscarem uma forma de ter um cheiro melhor.

No início, tudo girava em torno de perfumes e óleos. 

Embora os perfumes sozinhos não eliminem todas as bactérias eles funcionam como um “disfarce olfativo”, ou seja, uma espécie de capa de invisibilidade, principalmente, para o suor.

Vale mencionar aqui que os perfumes existem desde a Mesopotâmia, contudo, a fragrância, propriamente dita, decolou no Antigo Egito. 

Naquela época, a moda era o banho perfumado. 

Para isso, era muito comum o uso de pastas espessas que eram feitas com ingredientes naturais, misturando-os com óleo ou gordura animal. 

Nesse quesito, os egípcios eram criativos, não se limitando a plantas tipicamente aromáticas como capim-limão e rosa, mas também, incluindo ovos de avestruz e cascos de tartaruga para perfumar as axilas.

E deu certo, porque essa tradição persistiu nas sociedades grega e romana, nas quais uma série de banhos quentes e frios, combinados com fragrâncias e massagens com óleos perfumados, era considerada não apenas a melhor maneira de se ter um cheiro agradável, mas também uma parte essencial da vida cotidiana. 

E o tempo passou. Já no século XVII, os banhos perfumados tornaram-se populares na Turquia e em outras partes do Oriente Médio. 

Mas esse costume não se aplicou aos europeus, especialmente, na Idade Média.

Lá e nesta época, a Igreja, que considerava o banho um mal e médicos que acreditavam que a água abria os poros, permitindo a entrada de germes, ninguém tomava banho.

Na verdade, o hábito de tomar banho só se difundiu na Europa no século XIX, e foi tão forte o hábito que impulsionou o surgimento das perfumarias europeias.

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Banhos no Oriente Médio são chamados de Hammams

São banhos públicos tradicionais a vapor que funcionam como rituais de purificação física e mental, pontos de encontro sociais e culturais, com raízes nas tradições romanas e gregas, popularizados no mundo islâmico, especialmente na Turquia e no Norte da África.

Esses banhos oferecem limpeza profunda, esfoliação, massagem e relaxamento em um ambiente com salas quentes e úmidas, com forte ligação à higiene e espiritualidade. 

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A origem da palavra Hammams vem do árabe حمّا, “casa de banho”, evoluída da casa de banhos romanos, sendo adaptada e difundida pelos árabes.

O propósito dessas casas ia além da higiene Essas casas também funcionavam como centros sociais para mulheres e homens, fortalecendo laços comunitários e sendo locais para relaxamento profundo e ritualístico. 

São dois os tipos de importância que essas casas possuíam:

. Como lugar de purificação: que está relacionado à purificação islâmica antes das orações. Isso porque essas casas ficam perto de mesquitas.

. Espaço social: as casas de banho também funcionam como lugar para que haja socialização e troca de histórias, especialmente para mulheres. 

As casas de banho são muito populares na Turquia, Marrocos e em outros países do Oriente Médio e Norte da África. 

Os banhos no Império Romano eram, em primeiro lugar, centros sociais e de lazer.

O espaço era  uma sequência de salas quentes, mornas e frias, ginásios, bibliotecas e jardins, aquecidos por engenhosos sistemas subterrâneos ( hipocaustos ) e usado para exercícios, socialização, relaxamento e higiene, incluindo massagens e raspagem de óleo.

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Para os romanos estes banhos devem seguir um ritual. Observe:

Fazer exercícios, depois a sala morna, a sala quente e, finalmente, um mergulho em água fria, com atendentes disponíveis para ungir e raspar a sujeira com um estrígil. 

O espaço para os banhos eram compostos por

vestiário: para que os banhistas pudessem se despir e guardar suas roupas, 

pátio de exercícios: para atividades físicas como luta livre ou levantamento de peso antes do banho,

sala aquecida: para transição e aclimatar o corpo,

sala quente: com banheiras de água quente e bacias para se refrescar,

sala fria: com piscina de água fria para refrescar-se após o calor,

sistema hipocausto: que seria um forno que aquecia o ar que circulava sob pisos elevados por meio de condutas nas paredes para aquecer os cômodos e uma piscina ao ar livre. 

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Inicialmente a aromaterapia desempenhou um papel fundamental na cultura de banhos e spas do Antigo Egito. 

Era muito comum o uso de óleos perfumados, essências florais e ervas aromáticas conferindo aos banhos uma atmosfera sedutora e propriedades terapêuticas. 

Óleos essenciais como lavanda, rosa e camomila eram apreciados por seus efeitos calmantes, enquanto o cedro e a mirra eram valorizados por suas qualidades purificadoras e conservantes. 

Os aromas envolventes complementavam a experiência sensorial, criando uma atmosfera de relaxamento e prazer.

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Vale mencionar que entre as figuras mais icônicas do Egito, a Rainha Nefertiti e Cleópatra, a última faraó do Egito, personificaram a luxuosa cultura de banhos do Antigo Egito.

Os banhos não apenas reverenciam a beleza extraordinária dessas mulheres, como também, elas eram ávidas entusiastas de perfumes, empregando perfumistas habilidosos para criar fragrâncias exóticas para seu uso exclusivo. 

Embora não haja uma fonte fundamentada por documentação histórica, é possível dizer por meio de lendas transmitidas de geração em geração que a sociedade e principalmente essas mulheres tinham forte predileção por banhos de leite e mel carregados de fragrâncias. 

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Esses rituais de beleza cativantes refletem a opulência e o fascínio que cercavam essas rainhas notáveis, deixando uma marca indelével na cultura de spas do Egito.

Isso também ocorria porque a maioria das pessoas que viviam no Egito Antigo considerava a higiene muito importante e utilizava banhos para garantir a limpeza e uma vida melhor.

Na verdade, os egípcios tomavam banho quase todos os dias. 

Isso porque eles acreditavam que, ao tomarem banho, deixariam os deuses felizes quando chegasse a hora de morrerem.

Como era importante para os egípcios alcançar a vida após a morte, eles faziam tudo o que podiam para manter os deuses satisfeitos.

Eles também acreditavam que, quando morressem e fossem a julgamento, tomar banho enquanto vivos os ajudaria nesse processo.

Tanto é que os historiadores acreditam que existiam cerca de cinquenta casas de banho diferentes no Egito Antigo. 

Algumas dessas casas de banho foram se modificando ao longo do tempo, e algumas não só tinham água corrente, como também eram aquecidas.

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Existiam diferentes tipos de casas de banho.

Era costume dos mais afortunados aplicarem perfume no corpo, além de maquiagem.

Era costume também usar diferentes métodos para purificar a água e, assim, sentirem-se mais limpos. 

Um dos métodos era o uso de um sabão chamado natrão, que tinha aroma de perfume e deixava a água com um cheiro agradável.

Havia também outros ingredientes no sabonete para deixar o banho mais agradável que incluíam gordura animal, sal, óleo e perfumes.

Como vimos, tanto hoje como no passado, o banho é uma prática diversa, que apenas muda de acordo com a época e o lugar.

O mais importante é saber que se trata de uma prática que faz parte da vida de todo ser humano. 

Tanto o mais rico quanto o mais pobre, banhar-se faz bem para o corpo, para a pele e para a mente.

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