Você já se perguntou por que razão você gosta tanto de perfume?
Por que eu gosto tanto de perfume?
Você se sente atraída por perfumes por vários motivos. O primeiro deles é sem dúvida por causa do poder do aroma. Esse poder das fragrâncias pode evocar memórias, emoções e até mesmo mudar o seu, o nosso humor. É inegável que o perfume certo pode nos fazer sentir mais confiantes, sensuais e com uma energia incrível.
Da beleza estética à magnitude
A perfumaria é magnifica. Trata-se de um luxo aberto e acessível. Na França, por exemplo, nos dias de hoje, são vendidos cerca de 200 mil frascos de perfume por dia.
De acordo com a análise do mercado de cosméticos da França, o tamanho do mercado francês de produtos de beleza e cuidados pessoais é estimado em US$ 11,45 bilhões em 2024, e deverá atingir US$ 12,27 bilhões até 2029. (www.mordorintelligence.com)
Aqui, no Brasil, no primeiro semestre de 2024, o setor de fragrâncias e cosméticos de prestígio no Brasil vendeu mais de cinco milhões de unidades, com um faturamento de mais de R$ 1,8 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2023, o crescimento foi de 18% em valor e 11% em volume de vendas.
Segundo o SEBRAE, o Brasil é o segundo maior mercado mundial de perfumes, com 78% da população consumindo fragrâncias. Desse modo, o setor de perfumes está, naturalmente, otimista e, por isso, prevê um crescimento de até 6,2% até 2027.
Mas, então, de onde vem esse fascínio por esses cheiros maravilhosos?
A palavra “perfume” tem origem no latim per fumum, que significa “pela fumaça”. A palavra chegou ao português pelo francês parfum, que se origina do italiano profumo. A palavra perfume está relacionada a práticas religiosas antigas, nas quais as pessoas queimavam resinas aromáticas para se conectar ao mundo superior. A crença era de que o cheiro da fumaça ajudava as orações a chegarem mais rápido aos deuses.
A história nos informa que os primeiros perfumes foram feitos pelos mesopotâmios há cerca de 4.000 anos, embora os egípcios foram os primeiros a criar frascos de perfumes. Com o tempo, os perfumes passaram a ser usados para além de rituais religiosos, e acreditava-se que tinham um poder afrodisíaco.
Ao longo da história, o perfume foi usado por diversas civilizações, como a Mesopotâmia, o Império Romano e o Império Persa. Por outro lado, os árabes também contribuíram com a perfumaria por meio de óleos essenciais. Tanto os persas como os árabes foram os povos responsáveis a desenvolver a técnica de destilação.
Ao chegar à França, no século XVI, a perfumaria obteve um papel importante, especialmente na cidade de Grasse. Contudo, foi Paris que se tornou a capital do perfume durante o reinado de Luís XIV, que possuía grande atração e amor pelas fragrâncias. Dando um pulo para o século XX, a perfumaria torna-se conhecida e admirada pelas pessoas no mundo todo, o que faz com que ela se transforme e comece a divulgar marcas e aromas.
O que o mundo dos aromas faz para gostarmos de certos perfumes?
Tudo começa na Antiguidade…
Como agora sabemos, os primeiros vestígios do uso da perfumaria remontam à Antiguidade, especialmente, em razão de adoração dos deuses. No momento da adoração, os ritos consistiam em queima de essências aromáticas em homenagem às divindades.
Os perfumistas usavam matérias-primas cruas, ou seja, diretamente na forma de flores, plantas aromáticas ou resinas. Os egípcios e gregos consideravam que o perfume exaltava o poder e a beleza dos deuses. Além disso, a Rainha Cleópatra incorporou a perfumaria. Isso permitiu que o perfume fosse um elemento associado à beleza feminina.
Idade Média
Ao chegar na primeira parte da Idade Média, ocorreu um declínio da perfumaria. Isso ocorreu devido às invasões bárbaras que levaram à queda do Império Romano. Nesse percurso, houve uma limitação do uso de plantas aromáticas. Somente, a partir do século XII, com a reabertura das rotas comerciais, que houve a redescoberta de novas fragrâncias.
Somado a esse momento, os alquimistas chineses, árabes e europeus descobriram o álcool etílico e o sistema de destilação. E, finalmente, graças às viagens de Marco Polo e ao ressurgimento do desenvolvimento do comércio de especiarias, que o caminho da perfumaria felizmente foi reaberto.
O Renascimento
É inegável que o Renascimento foi a época marcada pela perfumaria. Vale aqui dizer que os nobres recorriam cada vez mais aos perfumes para mascarar os odores corporais. Como não havia a prática do banho diário, os nobres precisavam se cobrir com perfumes de maneira que as fragrâncias mais fortes e inebriantes eram as preferidas para assim poder mascarar os maus odores. Contudo, o uso do perfume não era somente para camuflar odores desagradáveis. Os perfumes também eram usados como amuletos de poder e proteção.
Durante esse período da Idade Média, os povos começaram a importar essências do Oriente Médio. E, assim, dos fortes odores pela falta de higiene, os mercados medievais eram impregnados por notas de âmbar, almíscar e várias especiarias.
A força desses aromas exalava riqueza e funcionavam como símbolos de status. Surgem os ingredientes encantadores e, diferente de nossa época, na Idade Média, os ingredientes usados eram puramente naturais.
Se você vivesse naquela época e fosse um nobre, poderia ir a um mercado e encomendar uma receita com rosas, jasmim, lavanda, além do sândalo e almíscar. Nesse sentido, o âmbar, almíscar, jasmim ou tuberosa eram os elementos preferidos, fazendo com que o olfato fosse maior que a visão.
Nesse diapasão, as viagens além-mar, como as de Cristóvão Colombo ou Vasco da Gama, permitiram que essas tripulações pudessem trazer matérias-primas que se tornaram muito admiradas, como o cacau, a baunilha, o tabaco, a pimenta ou o cardamomo.
E, naturalmente, os perfumistas começaram a se instalar em Paris, e a nobreza passou a usar, mais do que nunca, perfumes.
Era clássica
Se a França t eve um Rei, Luís XIV, apelidado de “rei mais florido do mundo”, foi porque o Rei Sol chegou a perfumar as fontes dos jardins do Palácio de Versalhes. Por essa razão, os nobres passaram a buscar por essências, de maneira que a França passou a desenvolver a sua própria produção.
Dado o clima favorável do sul da França, as plantações de matérias-primas foram instaladas na região de Grasse. Desde então, este local é considerado a capital da perfumaria.
Foi nessa região que passou a ser cultivadas matérias-primas perfumadas e até hoje é a região que se produz belos perfumes.
O século XIX
No século XIX, a perfumaria volta a sofrer novo declínio. Somente no Consulado que a perfumaria voltou ao primeiro plano, uma vez que Joséphine e Napoleão eram também amantes dos aromas exóticos e das Eaux de Cologne.
Paulatinamente, a perfumaria começou a se industrializar e passou a ser percebida e considerada como uma arte por si só. Neste momento, surgiram as primeiras moléculas sintéticas e o vaporizador.
1900 – 1950
A Belle Époque pôs o perfume como um verdadeiro produto de luxo. Da mesma forma, René Lalique criou garrafas semelhantes a esculturas reais. Coco Chanel revolucionou a imagem da mulher na década de 1920 com o emblemático Chanel N°5 que foi lançado em 192. Pierre-François-Pascal Guerlain cria o lendário Shalimar. Christian Dior lança em 1947 Miss Dior, e Nina Ricci seguiu com a criação de Air du Temps em 1948.
1950 – 2000
A perfumaria moderna é marcada por diversas tendências simultâneas. Alguns buscam mais sensualidade enquanto outros buscam mais autenticidade e emoção. Da mesma forma, as fragrâncias mistas se multiplicam e os perfumes de nicho estão cada vez mais na moda.
Conclusão
Interessante neste post é que ficamos sabendo que nobre rico na Idade Média poderia se perfumar de várias fragrâncias para sair de casa, como por exemplo, rosas para os cabelos, lavanda nos braços e sândalo no pescoço. Em contrapartida, romanos e gregos perfumavam a comida, seus lares e os animais domésticos.
No Egito, incensos eram usados em rituais religiosos, ligando os humanos aos deuses. Desse modo, percebemos que, diferente de hoje, a perfumaria era muito mais que um adereço, era, na verdade, característica da vida pública e, esse comportamento enriquecia a paisagem olfativa da cidade. Contudo, hoje, valorizamos a perfumaria, amamos perfumes e fazemos coleção. O perfume é de fato um constante em nossa vida.